quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu

O entra e sai de pessoas na minha vida fizeram dela uma espécie de Casa da Mãe Joana. Uma infindável sucessão de Encontros e Despedidas:

“... Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais...

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir...
São só dois lados
Da mesma viagem...”

Algumas foram tão intensas, tão significativas, de tamanha participação em alguns períodos da minha vida que me deram a impressão de que ficariam comigo até meus últimos dias. Grande ilusão: “Foram como vieram, como o vento passaram” – Como diria Candeia.

Mas existem pessoas que permanecem, ignorando tempo e distância. Que mistério é este? De onde vem tal poder seletivo, capaz de manter uns e afastar outros?

Muitos afastamentos foram justificados pela “sequência natural dos acontecimentos”: casamentos, mudanças inesperadas, excesso de responsabilidades e de ocupações, falta de tempo. Novas prioridades.

Quando a Internet surgiu, eu acreditei que através dela eu traria as pessoas que me foram importantes para o meu presente. Com algumas fiz contato, iniciei trocas de e-mails, telefonemas.

Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, Perfeita para retratar:

“Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe...
Quanto tempo... Pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... Pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...”

.Acredito que as pessoas que ficam não são as que foram importantes, nem as com quem vivemos momentos inesquecíveis. Não as que nos prestaram caridade, que nos apoiaram em algum momento difícil.

Estas ficam nas nossas memórias que acionam as lembranças e estas muitas vezes nos emocionam. Mas de repente tudo passa. É o esquecer.

As pessoas que ficam são aquelas que desde o primeiro encontro, mesmo inconsciente, acenderam uma chama no coração do outro. E preservaram esta chama em lugar seguro, mesmo que muitas vezes oculto, muitas vezes silencioso.

Estas pessoas, quando se reencontram, sentem e reconhecem imediatamente esta chama que queima espaço e tempo, e mostra claramente que nada mudou.

Hoje aconteceu uma coisa curiosa. Retornei, após anos, ao SESI Clube para me exercitar com a natação.

Ainda na portaria, enquanto me identificava para poder ter acesso ao clube, percebi que uma pessoa vinha, de dentro do clube, na minha direção. Era a Mônica, professora de Educação Física do SESI.

Fiquei muito surpreso quando a vi e não tive outra atitude senão abraçá-la eufórico, com muito carinho.

Minha filha, que me acompanhava, demonstrou surpresa com a cena, visto que desconhecia aquela pessoa que me provocou tamanha euforia ao reencontrar. Procurei uma explicação, uma forma de apresentá-las. As palavras mais sinceras e precisas que me surgiram foram: -“Filha, este é um dos anjos da minha vida.”

Em 2001 eu estava sofrendo com uma grave crise na coluna lombar. Ao procurar o neurocirurgião Eduardo Barreto fui informado por ele que meu caso era cirúrgico e para realizar a cirurgia eu deveria emagrecer, pois com o peso que eu estava a mesma se tornaria inviável. – Você tem duas opções: – disse ele – emagrecer ou emagrecer. E depois fazer a cirurgia.
Sugeriu dieta rigorosa e exercício físico. E foi bem claro ao afirmar que o único exercício que eu poderia fazer seria natação.

Procurei o lugar com piscina mais próximo da minha casa: O SESI Clube.
Estava havendo uma palestra sobre um evento que iria iniciar em breve, chamado SPA SAÚDE: Um mês de exercícios físicos diversos, acompanhados por médicos e nutricionistas.
A palestrante era a Mônica.

Após a palestra ela se dirigiu às pessoas para saber a quem interessaria participar do evento. Eu disse que seria muito interessante, mas não seria possível devido ao problema na coluna. Inconformada ela pediu para ler o laudo da minha ressonância magnética e pegou o número do telefone do neurocirurgião.

No dia seguinte ela entrou em contato comigo dizendo que havia demonstrado e convencido o médico de que eu poderia realizar diversos tipos de exercícios, desde que cuidadosamente orientado por um profissional. Ela se responsabilizou por me conduzir nos exercícios.

Participei com sucesso do evento. Ela me acompanhou e orientou em cada exercício que eu fazia. No final daquele mês eu pesava oito quilos a menos. Corria, nadava, fazia ginástica, hidroginástica e musculação. Desde então meus problemas com a coluna diminuíram muito, mesmo após voltar a engordar.

Eu não sabia que gostava tanto da Mônica. O encontro foi uma surpresa e uma descoberta. Não a havia esquecido, mas poucas vezes ela me vinha à lembrança. Havia uma chama que eu desconhecia no meu coração que pertencia a ela.

Se você me perguntasse, até hoje, quais as cinco pessoas que eu encontraria no céu, certamente eu teria a relação das pessoas na ponta da língua. Mas depois do reencontro de hoje vi que é possível que ocorra algo semelhante ao que aconteceu no livro escrito por Mitch Albom, que serviu como título desta postagem.

Eu quero mais. Desejo mesmo é encontrá-las, cada vez mais vivo, aqui na Terra. Que sejam mais que cinco. Que as feridas e dores sejam curadas. Que haja, também, a oportunidade de agradecer e reconhecer a quem um dia me trouxe benefícios. Que cada abraço, assim como o de hoje, me aproxime do paraiso. E que tenha o poder de a ele conduzir cada uma dessas pessoas. Assim na Terra como no céu.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

BATUQUE METEÓRICO - TUDO POR VOCÊ!

Em um evento extremamente familiar foi comemorado o primeiro mês da criação do Batuque Meteórico.
Infelizmente, devido o adiantado da hora, meus filhos não puderam comparecer e eu tive que beber, sozinho, as seis latinhas de Itaipava que comprei na promoção do Supermercado Guanabara, que, assim como o nosso blogue, comemora aniversário todos os meses do ano.
Agradeço aos leitores pelas diversas mensagens de congratulações.

O Batuque Meteórico, em seus 30 dias de existência, sobreviveu a uma guerra, dois temporais e três porres de toda a sua equipe. Após demonstrar tamanha resistência nossa equipe decidiu ampliar o número de amigos que serão informados após cada postagem.

Acesse o blogue pelo link http://batuquemeteorico.blogspot.com/

Caso você, novo leitor, goste do conteúdo ou tenha alguma sugestão para sua melhoria, publique em CAIXA ALTA seu elogio, na forma de comentário no blogue. Caso contrário envie uma mensagem educada, carinhosa e discreta, somente para Mauro Sá, nosso Editor Chefe, pelo e-mail maurosah@gmail.com, informando que deseja parar de receber as informações do blogue por não ter o mínimo de bom humor e que sua inteligência é insuficiente para compreender o rico conteúdo do Batuque Meteórico.

O editor responderá, informando o valor da taxa de desligamento. Após a confirmação do pagamento ligue para (21) 4004-7070* e nosso serviço de telemarketing, após um rápido menu e a leitura de todas as postagens do blogue até o momento da ligação, com músicas do Jorge Vercilo ao fundo, " vai estar informando todas as etapas, passo a passo, que você vai ter que estar realizando. Vai estar deixando claro que a ligação, para a sua segurança estará sendo gravada e vai estar informando que você não poderá estar errando nenhum desses passos, pois, caso isto ocorra, terá que estar pagando nova taxa e estar reiniciando todo o procedimento". *A ligação custará 8,99 reais (dois chopes) por minuto.

A equipe do Batuque Meteórico agradece aos antigos leitores pela fidelidade.

BATUQUE METEÓRICO:

Editor Chefe: Mauro Sá
Reportagens: Mauro Casemiro
Pesquisas: MC da Cuíca
Informações Meteorológicas: Mauro Meteoro
Diagramação: M. C. L. S.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Troféu Nudez Preta Gil 2010

Para coisas desnecessárias, minha filha, desnecessárias
                                     
Concorrem ao prêmio deste ano:

  • Os políticos que utilizaram o “eficaz” método de esconder maços de dinheiro dos mensalões em cuecas e meias diante das câmeras.
  • Os guardas municipais que lotavam a Praça São Salvador para reprimir o civilizado Batuque No Coreto.
  • As contratações de Val Baiano, Correia e Diogo, pelo Flamengo.
  • O assassinato de Elisa Samúdio por Bruno, só para não pagar a pensão para seu filho.
  • Qualquer disco de Emmerson Nogueira.
  • O teste feito por Tiririca no Tribunal Superior Eleitoral.
  • As piadinhas do Tadeu Schmidt.
  • O Galvão Bueno narrando futebol.
  • O Caio Ribeiro comentando futebol.
  • Dunga, Jorginho e Cia.
  • As ruas enfeitadas para comemorar a copa do mundo.
  • O BBB.
  • Levar documento com foto para as eleições.
  • As tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas feitas por Serra após ser gravemente atingido por uma bolinha de papel.
  • O choro do Sérgio Cabral na redução de ganhos com o Pré-Sal.
  • A campanha contra a dengue.
  • A carteirinha funcional da Infraero, inválida em todo território nacional.
  • A polêmica: Quem é melhor, Pelé ou Maradona?
  • Pagar Imposto de Renda e IPVA.
  • A Operação Asfalto Liso (e buracos novos).
  • Prender centenas de bandidos e depois conceder-lhes o regime semi-aberto ou indultos de Natal.

SÉRIE: LETRAS AUTO-EXPLICATIVAS QUE SE EXPLICAM A SI MESMAS ou PRA BOM ENTENDEDOR MEIA PALAVRA BAS

Ah, se eu vou
(Roberta Sá)

Todo santo dia ela ia
Ela ia lá me chamar
Pra dançar coco
À beirada da saia querendo rodar.

Pelo jeito dela
Pelo dengo, pela simpatia
Se eu caio na roda
Essa moça pode me segurar.

Aí ela vai querer que eu deixe de ir pro samba
Aí ela vai querer que eu não vá na ciranda de Lia
Aí ela vai querer que eu não saia de perto dela
E eu olhando pra beira da saia querendo rodar.

Ah, se eu vou.

Uma Tarde No Museu

Na verdade, são duas tardes. O Museu Internacional de Arte Naïf – MIAN – (Rua Cosme Velho, 561 - Cosme Velho) abre suas portas no próximo final de semana, dias 11 e 12 de dezembro, a partir das 10 horas, para o evento Natal Naïf, promovendo um resgate do Espírito de Natal, numa confraternização entre os moradores e amigos (inclua-se, portanto) de Laranjeiras e Cosme Velho.

Com o objetivo de dar início ao “Baú de Leitura” – projeto de incentivo à leitura voltado para as crianças carentes da região. – O evento pretende arrecadar livros novos ou usados de literatura infantil, contando, portanto, com a sua doação.

O evento conta com uma série de atividade artísticas, ligadas ao Natal, como: oficinas de artesanato, música e contadores de histórias, oferecidas gratuitamente pelos profissionais da região. Nestes dois dias, o Museu estará enfeitado sobre a temática natalina e adultos e crianças poderão participar da decoração de duas árvores, a que permanecerá na frente do Museu Naïf e outra que será oferecida ao Natal da comunidade.

O Batuque No Coreto participará do evento, conforme a programação abaixo, no domingo, dia 12 de dezembro, às 14 horas.

PROGRAMAÇÃO GRATUITA - Entrada Franca

Nos dois dias, durante todo o período do evento:
• Feira de Artesanato ATOAR e oficinas variadas para crianças e adultos
• BAR funcionando com petiscos e bebidinhas

SÁBADO, 11/12, das 10h às 20h
11h às 13h - Heureca Ateliê - Oficina de arte e colagem Naïf (Infantil)
14h às 16h - Apresentação do Grupo de Choro "Choro Porque Quero"
16h - Coral da Pediatria Brasileira / Maestrina Alice Ramos Sena
17h - Apresentação de Flauta - Alunos do Colégio São Vicente de Paulo
17h30 - “Lapinha de Jesus” - Espetáculo natalino da Cia. Trança de Folia
18h30 - Confraternização - Apoio Hortifruti

DOMINGO, 12/12, das 10h às 19h
10h às 12h - Apresentações de música da Pro-Arte
(Música de Câmara, Itiberê e Mariana Zwarg, Grupo de Choro, Flauta e Violão)
13h - Teatro de Bonecos do Papa Vento
14h - “Batuque no Coreto” - Roda de Samba
16h30 - “MPB em Movimento” - Grupo de música
17h30 - “Quinteto Fino Som” – Flautas


Sobre os participantes do Natal Naïf

Feira de Artesanato ATOAR - lembranças de Natal feitas artesanalmente poderão ser adquiridas durante os dois dias do Natal Naif. Participam do evento alguns artesãos do bairro e a Cooperativa de Artesãos Mistura Carioca com produtos criativos, de bom gosto e qualidade.

Bruno Ferraz e Bernardete estarão mostrando seus trabalhos em origami e oferecendo oficinas gratuitas. Bernardete é a autora do presépio que estará exposto durante o evento.

O Heureca Ateliê convida as crianças para uma oficina de arte Naïf. As primeiras que chegarem ganham um Kit. Sábado, das 11 às 13h. (2 a 11 anos)

O "Batuque no Coreto", grupo formado por amigos que se reúnem na Praça São Salvador, vai fazer uma Roda de Samba no domingo, a partir das 14h.

O "Choro porque quero", grupo de choro formado por frequentadores do "Arruma o Coreto" (Grupo de choro da São Salvador), vai estar no sábado das 14h às 16h animando o evento.

O "Papa Vento" convida as crianças para a apresentação de teatro de bonecos. Domingo às 13h.

No sábado, 17h30, tem espetáculo natalino com a Cia. Trança de Folia.

A Pro Arte abre as atividades do domingo, 12/11 às 10h, com apresentação de vários grupos música. Da música de câmara ao choro.

O Coral da Pediatria e os alunos de flauta do Colégio São Vicente fazem apresentações no sábado a partir das 16h.

A Creche Curiosa Idade, Colégio São Vicente de Paulo, Cultura Inglesa e Academia de Cabalá Mahutí estão fazendo arrecadação de livros infantis para doar ao Natal Naïf.

ATENÇÃO:

As cinco primeiras leitoras que doarem livros e comprovarem que estão portando dinheiro, cartão de crédito, cartão de débito, vale refeição ou cheque especial, terão direito a entrada fraca e após o evento poderão me pagar quantos chopes quiserem, bastando responder corretamente a pergunta:

 “Qual o nome do redator mais simpático, divertido, sincero, gente boa e grande figura humana do novíssimo e espetacular blog Batuque Meteórico?”

Não perca esta chance! Escreva sua resposta nos comentários desta postagem e aproveite o final de semana!
Um abraço!
Mauro

Amor de Cuíca. Onde Bate, Fica.

O Diretor de Carnaval da Beija-Flor, Laila, iniciou ontem a escolhas das passistas que irão desfilar pela escola. Cobrou maior dedicação, limitou em quatro o número permitido de faltas aos ensaios e informou, com apoio da comunidade, que levará para a Avenida 120 passistas. Sendo que, deste total, 80 são passistas mirins. Há possibilidade de redução deste número total, com os cortes que podem ocorrer entre as 40 adultas selecionadas a dedo (?!?!). Laila explicou, energicamente:

- “É porque eu não vou comprometer um futuro promissor a favor de um presente que já está deixando a desejar”.

Amigos! Se vocês vissem as passistas poderiam mensurar o quanto é exigente o Laíla.

Enquanto para ele, diretor da escola, as mulatas deixaram a desejar, para mim, reles ritmista, elas me deixaram a desejá-las!

"Ó! Mundo tão desigual!
Tudo é tão desigual!
Ô ô ô ô ô
De um lado este carnaval
Do outro a fome total
Ô ô ô ô ô"

Poucos com tanto e muitos com tão pouco.

Informo que, neste caso, exclusivamente, “raspas e restos me interessam”!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Acabei de assistir o Globo Esporte. Como destaque, é óbvio, a conquista do Brasileirão 2010 pelo Fluminense.

Esquecendo o sistema de pontos corridos que gerou o “entrega-entrega” por parte do São Paulo e do Palmeiras, acho que, de um modo geral o time mereceu.

Os Flamenguistas radicais me perdoem, mas vou confessar: Gostei da vitória tricolor.

Não torci, contudo, para que isto ocorresse. Ao contrário. Domingo fui à Praça São Salvador, em Laranjeiras, para bater papo com os amigos do Batuque no Coreto, durante o chorinho, e também para ver como estava o clima naquele bairro, onde fica a sede do Tricolor e, por conseqüência, há uma grande concentração de torcedores daquele time.

Ao chegar vi que existia, entre as dezenas de pessoas com camisas do Flu, uma sensação de “já ganhou” espalhada no ar. Decidi ficar por ali durante o jogo, para presenciar e me divertir com a festa ou com a decepção. Na minha Caixinha de Maldades, vocês sabem, tem um secador potente. Caso provocado poderia ser acionado. Não foi.

Cansado, pois havia trabalhado durante a madrugada, mudei de idéia e no início do jogo fui para casa, assistir sozinho pela televisão.

Uma das pessoas mais influentes na minha vida era tricolor: Meu tio Octávio Rangel, um ser humano exemplar a quem eu admirava e que contribuiu muito, juntamente com meus pais, para a minha formação moral e a maneira de ver e viver a vida.

Eu, quando ainda muito jovem, não compreendia como ele, sinceramente, dizia ficar feliz mesmo quando o Fluminense perdia para o Flamengo. Explicava que havia uma compensação pela tristeza da derrota ao saber que muitos dos seus grandes amigos estavam felizes naquele momento.

Eu não sou meu tio. Nem o Corinthians é o Flamengo. Mas me senti bem ao imaginar a alegria neste momento de comemoração de muitos amigos e pessoas notáveis que torcem ou torciam pelo Flu.

Tio Rangel, Arthur, Zelmão, André, Pedrinho, Avelheda, Alex, Dudu, Chico Buarque, Nelson Rodrigues, e, principalmente os vários tricolores que atualmente compartilham comigo a alegria de participar do Samba Salvador.

Estou achando divertida, de um modo geral, a comemoração dos tricolores. De todas as torcidas dos clubes cariocas, a do Fluminense é a que tenho menor rejeição. Não são tão numerosos e nunca compactuaram com as loucuras e falcatruas de Eurico Miranda, a ponto de fazer dele deputado federal, como os vascaínos; não zoaram os flamenguistas como fizeram os botafoguenses com aquele seis a zero, de 1972, muito bem retribuído, em 1981, pela geração de Zico, Júnior, Leandro, Adílio e Andrade. Nem são de muito chororô. Perdem numa boa.

Golpes no tapetão à parte, realizados pelos cartolas, os torcedores do Flu apoiaram, sem a arrogância da certeza do retorno à série A, o seu time quando passou pelas segunda e terceira divisões. Deram moral à reação do tricolor no ano passado. Apoio que se estendeu até este ano, e deu no que deu: Fluminense campeão.

Amigos Flamenguistas, eu sei que é difícil não ser marrento tendo um currículo como o nosso, mas a falta de soberba é uma virtude a ser aprendida e utilizada. Podemos, sim, neste sentido, agirmos como os tricolores. Podemos ser mais humildes, menos agressivos. Claro que sem aquela viadagem toda de jogar pozinho de arroz para o alto, pedir benção a João de Deus e outras “pomba-girisses”, absolutamente contrárias à nossa natureza.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Isso Não Me Cheira Bem!

Toneladas e toneladas de maconha apreendidas no Complexo do Alemão.
E a cocaína?
Virou pó.

I Want To Break Free!... I Want To Be Tri!

Juro que quando falei sobre a obsessão por tricampeonatos, na postagem anterior, eu não pensei no Fluminense. Jamais imaginaria que os tricolores iriam tentar convencer a todos que eles já venceram três Brasileirões.

Tudo bem que afirmem que temos memória curta, mas eu tenho certeza que o primeiro campeonato brasileiro aconteceu em 1971, vencido pelo Atlético Mineiro. Mais que isso, lembro perfeitamente da comemoração tricolor em 1984. Gritavam: “É campeão!”
E realmente foram, assim como em 2010 conquistaram o bi.

Como posso me lembrar da comemoração? Esqueceu da obsessão? No ano anterior o Flamengo havia se tornado tri (1980/1982/1983). Se conquistasse o campeonato de 1984, além de se tornar o primeiro tetracampeão, teria conquistado um tri real, ou seja, teria vencido por três anos seguidos.

O campeonato que o Flu afirma ser o seu primeiro Brasileirão era um torneio chamado Roberto Gomes Pedrosa. O Fluminense ganhou a sua última edição, em 1970.

O argumento tricolor é que aquele torneio funcionava “como se fosse” um Brasileirão.
Qual é? Estes papos de “como se fosse”, “praticamente”, e “se não fosse isso seria aquilo” está no mesmo nível do “campeão moral”, inventado pelo Cláudio Coutinho, técnico da seleção brasileira que não ganhou o campeonato mundial em 1978, embora tenha se mantido invicta.

Diga-me a verdade. Se aquele problema que não sai da cabeça está “praticamente” resolvido isto deixa alguém tranqüilo?

Lembra da calça com a qual você sairia outro dia “se não estivesse tão apertada na cintura”? Saiu com ela? Claro que não!

E o médico que conversa com uma família que aguarda notícias de um parente acidentado, internado em um hospital de emergência e diz que o paciente foi prontamente atendido e “quase” sobreviveu? Caraca! Quer dizer que o cara morreu! Tá mortinho! Pode conferir.

Mulher de amigo meu “é como se fosse” homem... Não vou nem completar a frase canalha.

Comemorem, amigos tricolores, vocês merecem. Mas não se esqueçam. Estão comemorando dois campeonatos brasileiros.

Parabéns pelo bi. E não fiquem paranóicos em buscar um tri, no passado ou no futuro. É possível que voltem a ganhar, mas pode demorar.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Eu sou o Rio e rio à toa

Quando nasci eu fui embalado por um anjo, meio negro e meio índio, ao som de samba e marchinhas de carnaval. Minha mãe bem que cantava belas cantigas de ninar, mas meu pai, sempre que me pegava no colo, se punha a marchar.

Melhor militar que sambista marchava de um lado ao outro da sala cantando músicas de carnaval.

Início da década de 70. Anos cruéis da ditadura militar. Isto não era assunto para crianças. Muito menos na casa dos Sá. Os debates se davam em torno de quem era melhor: Seria a Portela, defendida por meu irmão Mário, ou a Salgueiro, de meu pai? Eu prestava atenção e não entendia nada. Não sabia do que falavam.

Descobri no carnaval de 1973, quando meu pai me levou para assistir pela primeira vez o desfile de escolas de samba, na Avenida Presidente Vargas.

Era menino e fiquei encantado com tantas luzes coloridas, tantas fantasias e alegorias. A avenida toda enfeitada, desde os gigantes cavalos do carrossel na concentração, aos palhaços e arlequins presos por cabos distribuídos sobre a pista de desfile. As arquibancadas de madeira sobre tubos de ferro montadas semanas antes balançavam no ritmo das baterias das escolas. - São seguras! - Garantia meu pai.

O Salgueiro trouxe homenagem a Eneida Moraes e seus bailes de pierrôs, a Portela trouxe “Passárgada, o amigo do Rei”. Belíssimas!

A campeã, Mangueira, mostrou as “Lendas do Abaeté”. Mas a que mais me agradou foi o Império Serrano, vice-campeã com “Viagem Encantada Pindorama Adentro”.

Curupiras, jacarés, cobras, tatus, sacis. Tudo fervilhando diante de meus olhos e na minha imaginação. Justo no ano que eu lera “As Aventuras de Tibicuera”, de Érico Veríssimo.

Muito verde, muito brilho. Mulheres seminuas, e um bom samba, cantado por Marlene:

“Venha ver, no Império minha gente
Um navegante procurando Upabuçu
Ansiosamente
No pavão misterioso
Vi a sereia do mar
Em Pindorama coisas lindas
Até o boitatá
Oxóssi, rei da mata,
Fez Guaraci aparecer
Numa jangada segui o Saci Pererê
Iererê, rê rê
Como rema o Saci Pererê
Iererê, rê rê
Só remava o Saci Pererê
Quando Jaci surgiu
Enfeitiçando o rio mar
Iara me levou
Sob o clarão do luar
Na lagoa dourada de beleza sem par
As flores conversavam
Tudo era encantado
Naquele lugar
Foi assim que encontrei
O reino encantado que procurei”

Achei que a minha escola seria o Império Serrano, mas nos ano seguintes vi a força e a beleza do Salgueiro. Campeão de 1974 e 1975. Entendi as bases do fanatismo do meu pai. Ele gostava de coisas impecáveis, organizadas, primorosas. Assim é o Salgueiro.

No ano seguinte abri minha caixinha da maldade ao me divertir quando o Salgueiro perdeu o aguardado tricampeonato para a campeã inédita Beija-Flor de Nilópolis. Descobri que gosto de observar decepções coletivas. Confessem, vocês também! É fantástico prazer de virar um jogo no último minuto dos acrescimos! Torcida rival da euforia ao silêncio. Estilo gol do Pet contra o Vasco em 2001. Flamengo tri.

Voltando a 1976, eu ria do preconceito contra o pessoal da Baixada Fluminense, que “invadiu” o Rio mostrando  “Sonhar Com Rei Dá Leão”. No ano seguinte foi bi, e depois tri.

Engraçado esta fixação por três campeonatos seguidos que a gente tem. Deve ser por conta da conquista definitiva da derretida taça Jules Rimet, em 1970, pela seleção de futebol. Bicampeonatos são mal comemorados. Desce imediatamente sobre os ombros dos vencedores a pressão de conquistar o tri. E o fracasso condena o bicampeão ao esquecimento.

O fato é que minha família passou a odiar a Beija-Flor. E eu gostava e, em silêncio, me divertia, sarcasticamente, ao ouvir cada comentário desdenhoso. A verdade é que Joãosinho Trinta e Laíla, vindos do Salgueiro, levaram a criatividade e a organização para Nilópolis.

Ano após ano eu ia descobrindo e gostando de novas escolas, dos fatos que ocorriam na avenida e fora dela.

Até o início dos anos oitenta as músicas em língua inglesa dominavam as rádios. Alguns artistas brasileiros eram conhecidos, mas suas músicas pouco executadas, seus discos pouco vendidos. Fugiam desta regra os discos de Roberto Carlos e o disco anual das escolas de samba, muito aguardado nos meses de novembro. Todos queria passar a virada do ano cantando o samba de suas escolas preferidas. Decorar letra e melodia o mais rápido possível era motivo de orgulho.  E havia bailes de carnaval nos clubes e nas praças. Predominavam marchas antigas e os sambas da atualidade.

Não foi na avenida, contudo,  que um samba enredo mais me emocionou. Foi no Maracanã, em 1979, quando a torcida do Flamengo, comemorando o Tri (fixação!), cantou “Hoje Tem Marmelada”, da Portela 1980. Foi o último grande campeonato da escola de Oswaldo Cruz, dividido com a “encantadora e feliz” Imperatriz Leopoldinense, que mostrou “O Que Que a Bahia Tem” e a Beija-Flor, que com “O Sol da Meia-Noite, Uma Viagem ao País das Maravilhas” seria pentacampeã, não fosse  a contestada primeira vitória da Mocidade Independente de Padre Miguel no ano anterior, com “O Descobrimento do Brasil” derrotando a espetacular Portela com um desfile “Incrível, Fantástico, Extraordinário”.

No ano seguinte, 1981, a Imperatriz Levou o bi com “O Teu Cabelo Não Nega”. Lembra? É porque não foi tri.

Em 1984 a Portela voltou a vencer o desfile de domingo, mas perdeu o supercampeonato para a Mangueira, vencedora do desfile de segunda-feira. Era o primeiro ano que o desfile acontecia em duas noites. Também aconteceu a inauguração da Passarela do Samba, na Marquês de Sapucaí.

A divisão em duas noites de desfile se deu após a decadência de outras tradições que desfilavam na mesma avenida. Havia um dia em que blocos de frevo e de embalo faziam a festa. Outro dia era destinado aos ranchos e ainda havia a noite das grandes sociedades, que mostravam seus enormes carros alegóricos, deixados depois como herança para as escolas de samba atuais.

Com apenas uma noite para o desfile das escolas de samba, muitas e com muitos componentes, o inevitável sempre acontecia. As últimas escolas desfilavam sob Sol escaldante de meio-dia, para um público que beirava as 24 horas de permanência nas arquibancadas, visto que as pessoas chegavam cedo, horas antes do desfile, para conquistarem os melhores lugares. Assim aconteceu em 1982, último campeonato entre as grandes escolas do valente Império Serrano, com seu “Bumbum Praticubum Prucurudum”.

A construção do Sambódromo veio acabar de vez o monta-demonta das arquibancadas de madeira, que fazia do trânsito no Centro do Rio um inferno. Sua estrutura de concreto, seus camarotes construídos para servirem como salas de aula no período entre carnavais.  Idéias do antropólogo Darcy Ribeiro, vice-governador do estado. Ele idealizou também a Praça da Apoteose, construida mais larga que a Passarela, onde as escolas de samba desembocariam num imenso baile.

A Apoteose nunca cumpriu este papel. Mas as idéias de Darcy Ribeiro eram mesmo sempre apoteóticas, otimistas. Gostaria de compreendê-lo melhor para acreditar num bom futuro para o Brasil, assim como ele acreditava, por conhecer tão bem a sua formação e de seu povo.

O Sambódromo acabou com outro grande problema. As escolas de samba costumavam “atravessar o samba”.

A Física explica:

Com um sistema de som mal elaborado, os componentes das primeiras alas das escolas chegavam a um determinado ponto do desfile onde o que cantavam era defasado do carro de som, da bateria e do restante da escola, que vinha mais atrás. O som, que se propaga a 340 metros por segundo, chegava dois segundo mais tarde na outra ponta da avenida, com cerca de 700 metros. E é significativa esta diferença entre os trechos das músicas cantadas pelas alas iniciais e as últimas alas. As batidas das baterias acabavam perdidas no caos sonoro, chegando ao ponto de algumas escolas pararem de cantar durante o desfile para tentar corrigir este erro.

No ano anterior à inauguração do Sambódromo eu presenciei um momento sensacional da história do carnaval. A Caprichoso de Pilares subira para o grupo A empolgadíssima, tendo vencido no grupo B com “Moça Bonita Não Paga”, após disputar, em 1982, com escolas que trouxeram para a avenida uma das melhores safras de sambas enredo.

Pilares começou seu desfile com muita garra, cantando “Um Cardápio à Brasileira”, quando faltou luz na Marquês de Sapucaí.

Alguns segundos se passaram e componentes da escola e arquibancadas perceberam que, sem som nem iluminação, a escola estaria fadada a descer novamente para o segundo grupo. Então todos começaram a cantar alto e a pular. O que seria um momento lamentável virou um show do povo e da escola. Um desfile no escuro de silhuetas cantantes. Sensacional e emocionante.

Este foi o motivo para, no ano seguinte, homenageando Chico Anísio, a Caprichosos cantar em seu samba:

“Sorria meu povo
Sorria o Chico Rei chegou
Neste Palco todo iluminado
Que um dia
Por pecado
Se apagou”...

Assim iniciou a Era Sambódromo. Palco sem ornamentos, por muitos criticado pelo fato de permitir a visão pelas arquibancadas de toda a avenida, o que acaba quebrando a euforia da platéia que antes vibrava com a passagem de cada setor das escolas, no tempo das arquibancadas de madeira e suas ornamentações, que só permitiam que as alas e alegorias fossem vistas quando estavam passando bem em frente de cada setor.

Em 1985 foi criada a Liga das Escolas de Samba – LIESA – que organizou e passou a explorar comercialmente o desfile. Comandada por contraventores, aumentou a desconfiança sobre manipulações de resultados. Mas justiça seja feita: todas as escolas campeãs foram competentes e por isso mereceram os campeonatos.
Desde a vibrante Mangueira que, com sua empolgação, oculta a feia combinação, quase sempre inevitável, entre as cores verde e rosa. Popularíssima, conquistou alguns campeonatos. Depois vieram os, sem dúvida, belos desfiles técnicos da Imperatriz, que lhe deram um tricampeonato, mas passaram a falsa impressão de frieza da escola.

Repito: Falsa frieza. É que a escola descobriu uma fórmula, naquele momento eficiente, de aliar sambas de bela melodia com o canto empolgado dos seus componentes e principalmente uma harmonia impecável e fantasias cuidadosamente elaboradas. Além da espetacular comissão de frente comandada por Fábio de Mello, vencedora de vários prêmios. Só que a empolgação não passava para as arquibancadas, que assistiam em silêncio os belos desfiles.

Levantar as arquibancadas só uma escola conseguiu: Salgueiro, com “Peguei Um Ita No Norte”

A Beija-Flor contra-atacou, superando a Imperatriz ao acrescentar mais garra à técnica e estimular um pouco mais as frias arquibancadas. Ganhou vários campeonatos recentes.
Eu, ritmista da escola, muitas vezes me pego analisando com uma visão antropológica as características destas duas escolas. Isoladas em suas comunidades, as pessoas participam com grande envolvimento e orgulho dos eventos e ensaios.

Mas quando surgem aquelas maravilhosas mulatas sambando diante da ala das cuícas tudo muda...

“Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...”

... e a visão antropológica se transforma, de maneira inevitável, em visão antropofágica.

“Eu sou o Rio e rio à toa...”

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mentiras Sinceras Me Interessam

Amigo leitor do Batuque Meteórico, seguem algumas dicas para você enviar comentários sobre as postagens:

Quando você acessar o blog direto pelo endereço http://batuquemeteorico.blogspot.com/ , a dica é observar, abaixo dos textos, a frase:

“Postado por Batuque Meteórico às 01:59 0 comentários “

Basta clicar na palavra comentários que abre um link para você enviar sua mensagem.

No caso de acessar o blog através de um link de uma postagem, por exemplo:

“Batuque Meteórico
Postagem: Sobre Meninas e Cuícas
Link: http://batuquemeteorico.blogspot.com/2010/11/sobre-meninas-e-cuicas.html “

O espaço para comentários fica aberto direto, abaixo do texto.

É importante saber a opinião dos leitores. Ajudem-me a exercitar meus pobres neurônios.
Enviem críticas, corrijam erros, façam elogios. Lembrem-se que eu sou extremamente tímido. Puxem papo comigo!

Um grande abraço!

Mauro Casemiro Lima de Sá
Batuque Meteórico

Liberando O Mental

Cheguei agora do ensaio da Beija-Flor. Presentes apenas duas cuícas, eu tocando uma delas.
"Meti a mão"! Toquei alto, fiz variações entre graves e agudos. Brinquei. Desci do palco molhado de suor.
É bom tocar em roda de samba, curtindo a melodia, desenhando com os outros músicos. Mas tocar numa bateria de escola de samba ajuda a "liberar o mental". Não se pensa em nada. é tocar, tocar e tocar. É ótimo quando se deseja evitar pensamentos recorrentes, preocupações permanentes.
Antes da cuíca eu usava a natação. Como nunca fui um bom nadador, dava várias voltas na piscina concentrado nas únicas coisas importantes naquele momento: Respirar, nadar, respirar, nadar. E na mente nem um pensamento.
Nada como esvaziar a cabeça de vez em quando. Eu recomendo!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Não quero o que a cabeça pensa, mas o que a alma deseja...

Eu que vivo dizendo que gosto de papo cabeça com moderação...

As últimas postagens tem sido muito comentadas e estão gerando mais conversas e mais reflexões. Este blog está ficando cada vez mais prazeroso e divertido, ao menos para mim. A turma do papo-cabeça não pega leve. E isto é muito bom! Quando cansar, ficar sério ou denso demais, a gente conta uma piada, faz uma troça, bebe uma gelada, canta um samba pra cima, ok?

Zeca Pagodinho canta:

“Deixa a vida me levar
Vida leva eu...”

Demonstrando confiança na vida e no resultado final.

Eu, cada vez mais, percebo que a gente até pode direcionar nossas vidas para um lado ou para outro, desejando obter resultados pré-estabelecidos. Mas muitas vezes os resultados são outros, contrários ao que desejamos. Aí nos sentimos incompetentes, injustiçados, traídos pela vida. Mania que a gente tem de tentar fazer o papel de Deus.

É um jogo de dados entre a alma (nossa essência) e a personalidade (nossas idéias, desejos, sensações e reações).

A personalidade lança os dados, verifica os resultados. Em alguns momentos se considera vencedora. Então vibra e comemora. Em outros se sente derrotada. Chora e lamenta.

E a alma, em silêncio, aprende com cada jogada, com cada derrota e cada vitória. Sem gritos de euforia ou de dor, ao contrário da personalidade, segue serena na certeza de ser sempre a verdadeira vencedora.

Mas... Mudando de assunto:

Sabe aquela do faminto traficante fanho, fugitivo da Vila Cruzeiro, que teve que pular o muro da granja para roubar patos? Não? Essa é do tempo do tamborim quadrado, mas eu vou contar:

A idéia do fanho era pegar um pato e jogá-lo para um comparsa que aguardava do outro lado do muro. O fanho combinou isto com o colega e pulou, caindo em cima de um pato:

- QUÁ! – Berrou o pato.
- Qualquer um! Anda logo! – Gritou o bandido do outro lado do muro.

Pode não ser engraçada, mas é história verídica. O Globocop filmou. Eu juro!

"Solidão é a ausência de si mesmo"

Helena Wester, colega do Batuque no Coreto, deixou o seguinte comentário:

Mauro, vou usar aqui uma frase do livro "Alma Imoral" sobre solidão.
"Solidão é a ausência de si mesmo".

Libertdade temos o tempo todo. É uma questão de administração.
Acho muito bom refletirmos sobre um tudo...

Helena


Que bom, Helena, esta troca de idéias a partir dos nossos textos. Já valeu a pena criar o blog.
Durante a minha adolescência a sensação de solidão me incomodava muito. recentemente eu passei a entender que inevitavelmente somos todos sós, entendendo a solidão como a ausência da segurança da proximidade de qualquer outra pessoa que teria o papel de nos ser complementar. A frase do livro "A Alma Imoral", que você cita, é sensacional, pois é uma conclusão a qual podemos chegar, a partir de todo este papo.
Não existe tal complemento. Ou melhor, ele pode existir apenas dentro de nós. E isto que chamo de liberdade pode ser a sensação de iniciar, sem permitir que nos travem, a busca deste ser mais importante das nossas vidas: nós mesmos. O bem-estar vem da descoberta de um caminho qualquer. E realmente a temos (a liberdade) o tempo todo. É questão de perceber e decidir administrar.

Obrigado pela ajuda. Foi uma luz para organizar melhor minhas idéias. Pode ser óbvio para muitas pessoas, mas não para mim.
Tudo isto torna o ser humano bastante interessante. Cada um se forma sobre o proveito que tira de suas experiências. Somos maduros em determinados aspectos, e infantis em outros. Somos geniais e idiotas.
Humanos. Extremamente humanos.

Papos-Cabeça... Músicas Incidentais

Já ouvi muito a afirmação: “O ser humano só valoriza o que não tem.”

Pode até ser verdade para muitas pessoas, mas comigo não funciona assim.
Se me dissessem que eu, por muito tempo, desprezei meus dons, minhas habilidades, minhas virtudes naturais, possivelmente eu concordaria. Mas as coisas que eu nunca possuí não circulam pela minha mente, não fazem parte do meu mundo, não são objetos de meu desejo.

Não sou do tipo que fica olhando a vida pela janela e achando que o bom está lá fora, nunca aqui dentro. Ao contrário. Há muito me voltei para dentro, em busca de uma satisfação com o que tenho e com o que sou. Reconhecendo isto como “a parte que me cabe neste latifúndio”. Resignação? Ausência de ambição? Sei lá.

Outro tema recorrente é a liberdade. Confirmando minhas idéias acima eu nunca liguei muito para ela. Explicando: Eu sempre achei que a liberdade estava lá fora, disponível a quem tivesse sido agraciado com ela. Se não estava na minha vida, do lado de cá da janela, não me pertencia e eu não devia com ela me preocupar, nem defini-la, nem imaginá-la. Como um “cogito ergo sum” pervertido: “- Não penso nela, logo não existe.”

O Bussunda tinha uma camiseta com os dizeres: “Liberdade é Passar a Mão na Bunda do Guarda”. – é engraçado, mas não é de todo verdadeiro. Não é simplesmente isto. É também assumir as conseqüências de atos como este sem sobrar para mais ninguém, além de você mesmo.

Exerce a liberdade quem está livre.

Livre de que? De grilhões de ferro disfarçados em compromissos, em acordos de restrições mútuas, em alianças, nos dois sentidos mais usuais desta palavra. Livre de laços com outras pessoas.

Não ter laços com outras pessoas significa estar só. Então, seguindo minha pobre e possivelmente equivocada lógica, liberdade e solidão andam juntas. Ao desejar a liberdade carrega-se de contrapeso a solidão. Ao rejeitar a solidão, perde-se a liberdade.

Mas a recíproca não é verdadeira. A solidão, como vilã, tem o direito de existir sem a presença da liberdade. Mas a liberdade, como um ideal, só é plena com a solidão.

Eu, sempre temi a solidão, embora a considerasse inevitável. É que ela vivia do lado de dentro da minha janela. Fiz dela minha inimiga. Tentei de tudo para livrar-me dela e provar para mim mesmo que eu estava enganado quanto à sua eterna e indesejável presença. Inventei de jogar sobre ela uma capa de invisibilidade. Mas, reconhecendo-lhe a existência, o fato de não vê-la não queria dizer que ela não estava ali.

O inevitável se cumpriu: “Sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar”!

Milton Nascimento e Ronaldo Bastos anunciaram que “nada será como antes”. Eis que surge um elemento inesperado: Pula para o lado de dentro da janela a tal da liberdade, companheira possível da solidão. E, pela primeira vez na vida reconheci que a solidão estava me trazendo algo de bom.

Fiz as pazes com a ela. Paradoxalmente fechei um acordo: “Fique à vontade, Solidão, afinal a casa sempre foi sua também! Mas, por favor, mantenha sempre aqui, comigo, esta Liberdade. É que, desde quando a conheci, eu fiquei encantado por ela.”

E para você Liberdade, eu canto...

“... Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça

Não saia do meu lado
Segura o meu pierrô molhado
E vamos embora ladeira abaixo
acho que a chuva ajuda a gente a se ver
venha, veja, deixa, beija
seja o que Deus quiser

A gente se embala
se embora, se embola
Só pára na porta da igreja

A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja”

É! O tempo está passando e quem não morre não vê Deus. Mas quem está vivo e não bebe ou não dança pode não ter outro meio de ver o mundo girar.