terça-feira, 5 de julho de 2011

A Praça e a Cachaça

Uma garrafa de cachaça levada para a Praça São Salvador gerou pelo menos duas situações engraçadas, envolvendo Haroldo, o morador de rua que vive ali e adora dar uns goles.

A primeira foi no momento imediato em que Tânia nos oferecia a bebida em pequenas doses. Haroldo se aproximou e ficou ao lado dela. Sua silenciosa expressão dizia tudo. Ele olhava para ela com cara de “me dá aí!”.
Comovida, a “Síndica da Praça” decidiu ceder-lhe um pouco da valiosa cachaça, explicando, contudo:

- Olha Haroldo, presta a atenção: Isto não é quaquer cachaça! Isto é “Nega Fulô”!
 
A expressão de satisfação do Haroldo ao receber a dose da cachaça não escondeu a outra, que lhe diviviu a face. Seu rosto dizia claramente: - “Nega Fulô? Caguei!”.
 
Minutos depois chega à Praça o Alex, “Maluco Problema”. Surgiu fazendo escândalo, gritando de longe. No caminho, caiu sozinho. Levantou e aproximou-se, pedindo cachaça. Aí o Haroldo se adiantou:
 
- Você não! Você não sabe beber! Caiu sozinho e fica dizendo que tropeçou! Tá fora!
 
Inacreditável, hilário e profundo.
Não existe quem, em algum momento, não se sinta superior a um semelhante.
 
Haja cachaça.

Um abraço!
Mauro Sá


Do Cauim Ao Efó, Com Moça Branca, Branquinha
 

Samba-enredo do Salgueiro em 1977
(Geraldo Babão e Renato de Verdade)

A moça branca é amiga
Não há quem diga que não tenha valor
Só por ser tão boa
Vive assim à toa, sem querer se impor
Ela dá coragem, dá vantagem
Dá inspiração
Não admite
Falta de apetite numa refeição (bis)
No Salgueiro tem

Tem gente que bebe pra esquecer ê ê
Tem gente que sabe beber e comer ê, ê, ê, ê (bis)

Churrasco no Sul
Buchada no Norte
Tutu à milanesa
Com pinga da forte
Comendo Efó
Jerimum com jabá
Feijoada, peixada
Ou o bom vatapá
Tem que ter cachaça

Ela não pode faltar...
... E depois quindim (bis)
E doce de elite com amendoim
A moça branca



Essa negra fulô
(Jorge de Lima)

Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
— Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!

Essa negra Fulô!

Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô!

"Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco".

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
"minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou".

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá
Chamando a negra Fulô!)
Cadê meu frasco de cheiro
Que teu Sinhô me mandou?
— Ah! Foi você que roubou!
Ah! Foi você que roubou!

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa,
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô).

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê meu lenço de rendas,
Cadê meu cinto, meu broche,
Cadê o meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
Ah! foi você que roubou!
Ah! foi você que roubou!

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dêle pulou
nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra fulô?

Essa negra Fulô!

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